Após tentativa de fuga de Silvinei, PF cumpre 10 mandados de prisão domiciliar contra condenados por trama golpista

Uma nova ofensiva das autoridades marca, neste fim de semana, o avanço das investigações e punições relacionadas à trama golpista que tentou impedir a transição democrática no país. A Polícia Federal cumpriu, neste sábado, dez mandados de prisão domiciliar contra condenados pelos atos antidemocráticos, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

A operação ocorre um dia após a prisão do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. Ele foi detido no Paraguai, na sexta-feira, quando tentava fugir para El Salvador. Segundo investigadores, a tentativa de saída do país sem autorização judicial acendeu um alerta máximo no STF e acelerou o cumprimento das novas medidas cautelares.

De acordo com a Polícia Federal, os alvos da operação deste sábado já haviam sido condenados por envolvimento direto na organização, financiamento ou apoio logístico à tentativa de ruptura institucional. A decisão do ministro Alexandre de Moraes estabelece o regime de prisão domiciliar, além de outras restrições, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais e de contato com outros investigados.

A prisão de Silvinei, personagem central nas investigações, reforçou a avaliação de que havia risco concreto de fuga de outros condenados. Ex-diretor da PRF durante o governo Bolsonaro, ele é acusado de ter usado a estrutura do Estado para interferir no processo eleitoral de 2022, especialmente no segundo turno das eleições presidenciais.

Nos bastidores do Judiciário, a leitura é de que as decisões buscam garantir a efetividade das condenações e evitar que réus já sentenciados tentem escapar da aplicação da lei. O Supremo tem adotado uma linha dura diante de qualquer sinal de descumprimento das medidas impostas aos envolvidos nos atos golpistas.

A defesa dos condenados afirma que as medidas são excessivas e que irá recorrer. Já a Procuradoria-Geral da República sustenta que as prisões domiciliares são necessárias para preservar a ordem pública e assegurar o cumprimento das decisões judiciais.

Enquanto isso, a Polícia Federal segue monitorando outros investigados e não descarta novas ações. O recado das autoridades é claro: qualquer tentativa de fuga ou descumprimento das ordens judiciais será respondida com rigor.

Herikson Martins